terça-feira, 11 de abril de 2017

Aparências

Ultimamente, tenho-me lembrado de contar histórias que foram acontecendo comigo que agora dão vontade de rir, mas na altura não achava lá muita piada. Esta história não é tão comprida como a que contei anteriormente (parte 1; parte 2), mas é apenas estúpida.

Foi com o meu primeiro namorado. Tinha 18 anos quando comecei a namorar com ele e ele tinha um bocado a mania de se armar em convencido, mas era um convencido num tom de brincadeira. Esse tom de brincadeira foi desvanecendo até que a certa altura já era impossível de aturar. Ele tornou-se numa das pessoas mais convencidas que alguma vez conheci, nem sei bem porquê. Eu sempre fui uma pessoa bastante simples, portanto por influência minha não há-de ter sido.

Tornou-se convencido ao ponto em que até a roupa que trazia vestida tinha que ser toda de marca e mesmo a marca não podia ser qualquer uma. Tinha que ser das mais caras, porque se ele andasse com uma simples camisola da Zara, já não era compatível com a sua personalidade de "Eu sou o maior". Toda a humildade que poderia estar dentro dele desapareceu. 

Ele tinha vergonha por causa dos pais viverem do ordenado mínimo. Essa vergonha vinha dum atrofio psicológico que ele ganhou, não sei como. No pensamento dele, se as pessoas soubessem que tudo o que o rodeia é "pobre", então vai ser gozado. Daí ele andar sempre com roupas de marca. Chegou até a comprar um Rolex, porque um simples Swatch não era o suficiente para ver as horas.

Mas até aí, cada um faz o que quer ao seu dinheiro e eu não tenho rigorosamente nada a ver com isso.

Um dia entrei numa loja da Babou e vi uma amiga dele que estava lá a trabalhar. Mais tarde, estava a falar ao telemóvel com ele e numa de meter conversa disse-lhe "Olha, hoje vi a tua amiga na Babou. Não sabia que ela trabalhava lá!"

E o tom de voz dele alterou-se instantaneamente. Estava super divertido a falar comigo e de repente, a voz dele tornou-se séria e elevada "Sim, trabalha. E agora vais começar a gozar com ela por estar a trabalhar lá?"


Porque raio é que eu haveria de gozar com alguém que está a trabalhar a ganhar o seu dinheiro? Foi quando eu me apercebi que ele tinha literalmente vergonha de tudo o que o rodeava, inclusivamente o facto dos amigos terem trabalhos assim em lojas e não serem grandes médicos e advogados e coisas assim. 

Assim como ele não me contava nada dos seus amigos por ter vergonha alheia, descobri depois mais tarde que ele também tinha vergonha de mim. Daí eu só conhecer um amigo ou dois dele e começar-me a atirar à cara para engordar 10kg, porque era muito "esquelética". Basicamente, ele tinha vergonha de andar de mão dada comigo na rua, porque não queria ser visto na rua com uma rapariga magra e não toda jeitosa ali com um decote a fazer inveja a qualquer gaja.

6 comentários:

  1. Oh meu Deus, nem sei o que dizer. Infelizmente existem muitas pessoas neste muito a viver de aparências, acho também que são pessoas infelizes. Beijinhos*

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  2. Só mesmo como na imagem! Já não ia lá de outra forma!!!

    https://jusajublog.blogspot.pt/

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  3. Ai que anormalóide de primeira apanha -_- Uma criatura dessas merece ficar sozinha. Ter vergonha dos próprios pais, dos amigos, da própria namorada? Opá, meta-se numa catapulta e voe para uma ilha deserta, já que tem tanta vergonha assim de tudo e de todos.

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  4. Espero que ele tenha ganho juízo, mas ainda bem que o mandaste dar um volta. Ahahah

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  5. Irra que rapaz mais...parvo!!
    Ainda bem que já não estás com ele...

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